Castelo do Piauí declara guerra judicial contra Águas do Piauí por abandono hídrico total

População sofre há semanas sem água enquanto empresa ignora crise e prefeitura parte para confronto nos tribunais

A guerra pela água chegou aos tribunais em Castelo do Piauí. O prefeito Júnior Abreu declarou combate judicial contra a Águas do Piauí S/A, movendo ação civil pública que expõe o drama vivido por milhares de moradores abandonados pela concessionária. O processo, protocolado em 8 de outubro pelo procurador Jorge Ricardo Nogueira, revela um cenário de caos urbano onde escolas, hospitais e repartições públicas operam no limite.

O documento judicial desnuda uma realidade cruel: famílias inteiras enfrentam dias consecutivos sem uma gota d'água nas torneiras, enquanto a empresa responsável pelo serviço mantém silêncio absoluto. Não há comunicados, não há explicações, não há previsão de normalização.

ABANDONO INSTITUCIONAL GERA REVOLTA POPULAR

As denúcias explodem nas redes sociais e nos canais oficiais da prefeitura. Moradores relatam rotinas transformadas em pesadelo, com crianças perdendo aulas e pacientes sendo prejudicados pela falta do recurso mais básico para a sobrevivência humana.

A situação ganhou contornos dramáticos quando ficou evidente que a Águas do Piauí opera sem representação local efetiva. Jorge Nogueira aponta que a ausência de um responsável legal fixo na filial municipal criou um vácuo de comunicação que agrava exponencialmente a crise.

"A empresa funciona apenas com sistema automatizado de atendimento", destaca o procurador, evidenciando como a população foi reduzida a números em uma central telefônica que não resolve emergências hídricas.

JUSTIÇA COMO ÚLTIMA TRINCHEIRA

O colapso do diálogo institucional forçou a municipalidade a buscar socorro judicial. A petição não poupa palavras ao caracterizar a omissão da concessionária como violação frontal aos direitos fundamentais dos cidadãos.

"Diante da omissão injustificada da concessionária, a intervenção judicial mostra-se urgente e necessária para compelir a empresa ao restabelecimento imediato e integral do fornecimento de água em toda a zona urbana de Castelo do Piauí", enfatiza Nogueira no documento.

A estratégia legal inclui pedido de liminar para forçar a normalização imediata do abastecimento, acompanhada de multa diária progressiva caso a empresa persista na negligência. Mais grave ainda: a ação prevê responsabilização civil e criminal da diretoria da Águas do Piauí.

EMPRESA ALEGA DESCONHECIMENTO E TRANSPARÊNCIA

Confrontada com as acusações, a concessionária emitiu nota defensiva alegando desconhecimento oficial da ação judicial. A resposta corporativa ressalta atuação "transparente e em conformidade com a legislação", mantendo "diálogo permanente e aberto com a população".

A declaração contrasta drasticamente com os relatos de abandono documentados na petição municipal, criando um impasse entre versões que apenas a Justiça poderá resolver.

O caso expõe as fragilidades do modelo de concessão de serviços essenciais quando empresas privadas falham no cumprimento de obrigações básicas. Para os moradores de Castelo do Piauí, resta aguardar se os tribunais conseguirão fazer o que a concessionária não fez: garantir água nas torneiras.

Prefeito Júnior Abreu / FOTO: Viagora