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A escalada da violência no Piauí não é diferente do que acontece no Brasil

Ainda é possível virar o jogo, mas no atual estágio, é necessário um esforço conjunto como nunca houve neste país

28 de julho de 2022, às 09:00 | Douglas Cordeiro

A guerra entre facções criminosas pelo controle do tráfico de drogas fez várias vítimas nos últimos dias em Teresina. Foram registrados 12 assassinatos em menos de duas semanas.

Na maioria dos crimes, os assassinos foram até as casas das vítimas realizarem as execuções até na frente de familiares.

Um jovem foi obrigado a levar bandidos até a sua residência para matarem o irmão ou toda a família seria morta.

Em outro caso, o filho foi executado na frente da mãe que após o crime matou um dos executores com uma facada no pescoço.

Várias prisões foram realizadas e com um dos criminosos, a polícia encontrou um relação de pessoas marcadas para morrer e uma grande quantia em dinheiro que seria utilizada para o pagamento das execuções.

Como pano de fundo desta onde de assassinatos está o controle de pontos de venda de entorpecentes, um mercado lucrativo, que cresce a cada dia, aumentando o número de usuários, a lucratividade dos grupos criminosos e a violência na ruas. 

Na região de Parnaíba, foi necessário um trabalho conjunto da Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal para conter o avanço das facções que apenas recuaram esperando o momento certo de voltar.

A Secretaria de Segurança Pública, comandada pelo Coronel Rubens Pereira, reuniu toda a força policial do Piauí para uma ação conjunta e emergencial, contando com a colaboração da Polícia Federal, na tentativa de reduzir a escalada da violência na capital.

Apesar do trabalho permanente, ainda não se conseguiu diminuir a entrada de drogas e armas. Recentemente, foram descobertas plantações de maconha, laboratórios, mesmo de pequeno porte, de drogas sintéticas e cresceu a fabricação de armas caseiras, além dos revólveres e pistolas, inclusive de uso restrito, usados por bandidos para pequenos crimes até assassinatos.

Combater o crime custa caro, requer investimentos permanentes, estratégias bem elaboradas, modernização da inteligência e integração entre as forças policiais e trabalho preventivo, acões indispensáveis para superar a criminalidade cada vez mais organizada.

No Brasil, 83% dos recursos gastos com segurança pública saíram dos cofres dos estados brasileiros, ficando 17% para governo federal e municípios. As estratégias nunca envolvem todos os entes da federação, a inteligência recebe cada vez menos dinheiro e a integração ocorre pontualmente. O governo federal reduz gastos e são poucos municípios com guarda municipal e videomonitoramento.

Ainda é possível virar o jogo, mas no atual estágio, é necessário um esforço conjunto como nunca houve neste país ou a polícia continua enxugando gelo e o crime batendo palmas e crescendo com a falta de organização do poder público.

Cerca de 83% dos gastos com segurança pública são feitos pelos estados / FOTO: Jornal Grande Bahia


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